Fiz a janta
com a raiva
em ponto de fusão.
Há quem diga
que sentimentos
não atrapalham
o preparo da refeição.
Mas ela esburrou.
E o pano de prato
se rasgou
o fogo
não se atiçou
o tempo de cozimento
atrasou
O corante
não a s se nto u
e o sabor se esquivou.
A raiva toma o sabor da comida.
Nota 9.
Dá pra engolir.
Nunca foi fome.
É ânsia por não ter o que comer.
Dito isso
independente da raiva existir
tem comida pronta
por favor
queira se servir.
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Para que eu tenha o que eu tanto desejo, eu preciso enterrar a mim mesma-e renascer sendo eu mesma,
aceitando que, em tese,
jamais fugirei das minhas partes ruins
mas as deixo enterradas
controlando-as internamente
para que não me impeçam de viver aquilo que peço com tanto afinco.
Para, por fim, viver,
eu preciso sucumbir ao meu próprio eu e reviver pelas brechas que ainda restarem com vida
e que eu cresça, e que meus ramos sufoquem o meu próprio eu
até que eu não escute o meu eu embaixo da terra.
Eu escolho florescer fora do que programei
fora de estação.
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Olho para ti.Não.Olho para a imagem que se apresentou a mim e que minimamente tive contato em meu mundo concreto.
Observo os detalhes, as entrelinhas, e as marcas de contato começam a sumir. O contato estabelecido pela separação de corpos foi suficiente para construir a ideia da união destes. A atração fugaz era inquietante e alarmante,o centro de pensamento estava mais que sobrecarregado.
Por mais que tentasse ignorar,o sinal do fim estava ali o tempo todo, andando na linha tênue da desconfiança.
Quando a consciência voltou a reger o todo, não restou dúvidas: a insanidade se apossou e quase fez sucumbir ao ser idealizado.
Ledo engano,porque o ser idealizado nunca existiu. Me entregaria a uma ideia que me quebraria em inúmeros pedaços. Em inúmeras facetas. Após isso, observam-se os sinais de aviso,agora expostos. Eles justificam a partida e me trazem a noção de que nunca houve nada, nunca haverá nada.
A ideia de ciclo ainda aberto é o desejo em ser o desejo. Nada mais. O ciclo fora fechado,pois nunca devia ser aberto pela necessidade de se fazer no outro.
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Prova-se o desejo.
Há textura
o desejo é palatável
mas não há sabor
além de algo
que não fora elaborado
mas é nomeado
de desejo.
Eis aqui a sina
dos sommeliers
de sentimentos
revoltos de vazio:
Sentir o todo
que é nada
definido
como tudo.
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Eu tenho saudade de nós.
Não queria que fosse assim.
Eu sonhava em ser como você,
eu queria ter tua letra,
tua doçura,
tua beleza.
Mas você me derrubou
num buraco.
E eu pequena,
caí,
me ralei
e me escondi numa brecha.
Eu me agarrei nele,
me matei em partes
e revivi outras.
Queria não te odiar.
Eu não preciso,
pois você já faz isso para si.
Queria que não fosse assim.
Queria sonhar
em ter tua letra de novo.
Mas agora eu vejo
que tenho você em mim
pelo menos um pouco.
E não é a letra.
~Confissões poéticas durante a aula
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Somos todos perversos
porque vamos além do proposto.
Nada de gozo coletivo
ou unilateral.
É um gozo além,
pois demora-se
(e muito)
acariciando o ego.
E em alguns casos
ninguém goza
como queria gozar.
Por que? Não sei.
O ego finge gozar
e muito que bem.
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Acho estranho
pensar em você
e falar teu nome
sem nem te conhecer.
Queria ver
como é sua reação
quando te nomeiam
com teu próprio nome.
Porque ai tenho razão
de dizer.
De nomear.
Mas só há sentido
se um dia
eu te encontrar.
Pois já existirás
em meu cotidiano
e também saberás
que eu existo.
E poderá me nomear
com meu nome.
Meu próprio nome.
Ou como quiseres
me chamar.
Então
gostaria de lhe perguntar:
qual a sua graça?
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Às vezes eu sinto que quero sair correndo,mas no sentido subjetivo,ou seja,não urge a vontade incessante de correr pela minha rua com morros,mas sim,fechar os olhos e sumir desse corpo.
Porém,há de se saber que não há como sumir subjetivamente enquanto for viva.É mero desejo de uma mente meio insana.Isso passa com o tempo.
Com o tempo,as coisas se assentam como a terra solta quando pisada,quando molhada.Tudo vai se ajeitar,as contas serão pagas,as festas serão feitas,os amores virão,as provas serão realizadas,os processos serão bem sucedidos à sua maneira,e o desespero...ah,o desespero virá em muitos momentos durante tais situações descritas acima.
Mas não há pra onde fugir,terei de ficar e sentir,pois sei que em breve passa,passa sim,e quando der pra falar disso com um analista,eu espero conseguir ler esse trecho pra ele,ou pra ela,e que talvez ela possa entender que eu não quero tanto sair correndo no modo subjetivo,não quero sumir de verdade.
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Quando a atração é existente
Os corpos se movem
como algo quente
Em estado efervescente
Como o açúcar em estado
Ardente
Emoliente
Brilhoso
De cor âmbar
Está no ponto perfeito.
Mas quando esfria
Se endurece
Fica imóvel
No qual o toque
de algo mais frio
O faz cristalizar
E quebrar
Em estilhaços
Como um prato
De cor âmbar
Fora erro no preparo.
A atração dura pouco
Como a temperatura
Do açúcar emoliente
Tanto faz seu recipiente
Com o tempo ocalor some
E o frio o preenche
Caramelos são doces
Para serem degustados
Enquanto estão quentes
Não?
Não!
É de conhecimento
Que ele é consumido
Quando endurecido
Quando estático
E quando parado
É duradouro
Talvez como
O amor?
Não sei
Só sei que
Se não houver
Temperagem adequada
A atração
Se esfarela
Se cristaliza
Se desfaz
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A vida
Em sua essência
Pode parecer grotesca
Devido a aparição
De seres corriqueiros
Que tocam seu ser
E te matam
Aos poucos
Aos muitos
Mas a vida
Em si
Como um todo
É o que é
E por isso
Não pode nos livrar
Nos resguardar
Da dor
De seres perversos
E da falta de potência
De gana
De felicidade
Por isso
Ficamos nós
Apenas nós
Responsaveis por seguir
E proteger
Nosso próprio ser
Quanto aos seres contrários
Esses sucumbem
Por meio de sua própria boca
Dada a amargura das palavras
Proferidas por suas línguas
Então
Seguimos em frente
Pisando
Descalços
Por caminhos de pedras
Cortantes
Sujas
Mas há o consolo
De que em breve
Em breve
O analgésico contra a dor
Fará efeito
Cuidemos de nós
Pois somos o bem
Mais único
Mais valioso
Que possuímos
Nessa vida
Corriqueira
Estranha
Mas vezes ou outra
É uma vida
Como deve ser.
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