Os últimos lamentos de um soldado
Velas, roupas pretas e um caixão cor de marfim. Uma folha sobre o chão, com manchas cor de carmim. As palavras desta carta são uma história... E elas dizem, mais ou menos, assim: "Eu nunca presenciei algo tão perturbador. Tanto choro, tanta angústia, banhados de lamento e repletos de dor. O som que as armas fazem é ensurdecedor. Os corpos caídos no campo de batalha já revelam seu odor. As noites frias e solitárias e os dias cheios de ódio em seu calor. Os anjos tocam seus instrumentos, comemorando a morte de outro pecador. Esse lugar é o inferno, cheio de ódio, tristeza e rancor. Então mãe e família... E você querida, meu amor. Sei que não estarei com vocês para ver outro sol se pôr. Então desculpa mãe, por ir mais cedo e nem te abraçar. Desculpa irmã, por não ver você crescer e se realizar. Desculpa meu amor, pois prometi que, vivo, iria voltar. Me desculpem por todos os maus momentos que vocês vão ter que passar. Me desculpem por tudo, mesmo que não saiba pelo que me desculpar. Eu amo todos vocês, e prometo que, para sempre, irei amar. Adeus e me desculpem... Para a casa, desta vez, eu não irei voltar..." Esse campo de batalha foi feito para que nem uma flor, floresça. Então lembre-se e, por favor, nunca se esqueça: O soldado foi encontrado com seus pulsos cortados, em meio a guerra civil que acontecia em sua cabeça. - Lucas Kenzo
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