Apenas existir
Eu te olho e não te reconheço Seu cabelo está curto, seus olhos cansados Sua alegria se foi junto dos “ curiosos fatos ” Sua personalidade mudou, junto do sorriso apagado Agora você só acena e sorrir meio de lado Seus joelhos não tem mais calos de tanto orar Sua voz, agora, você força a mudar As coisas que gostava, agora não gosta mais As que odiava, agora acha atrativo Achou beleza em coisas estranhas Como a lua, felinos e plantas Já não consegue ir a praia de biquíni Seria um choque se vissem as cicatrizes Fez furo perto do lábio, pintou o cabelo e usa maquiagem Gosta de saias, mas não gosta de expôr suas partes Tem auto estima baixa, quase inexistente E não é novidade que você se tornou carente Odeia se isolar, mas agora onde está ? Fazendo drama para alguém o chamar Seu refúgio se foi, junto da vontade de encontra-lo Não faz sentido pintar novos quadros Nunca será um Van Gogh ou Picasso Muito menos Michelangelo ou Leonardo Nunca escreverá como Bukowski ou Shakespeare Muito menos como Dostoievski, Darwin ou Verne Nunca foi bom em nada que fazia, nunca foi ruim em nada fazia Mediano sempre, por isso é só o que aceita Nunca será lembrado como o primeiro amigo, irmão ou filho Apenas existir, esse é seu castigo
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