Há quem saiba exatamente o que dizer no momento certo,
conquiste espaço com gestos atenciosos e pareça ter intenção verdadeira.
Estar presente quando o dia é leve e tudo favorece é simples,
mas o recuo diante da necessidade oculta revela o que é real.
,
,Ser gentil pode nascer de uma conversa agradável,
de um gesto leve ou de um sorriso acolhedor no meio da rotina.
Ser leal, porém, exige algo muito mais profundo e raro:
manter a palavra quando o interesse próprio já não compensa
e sustentar a consideração até quando ninguém está olhando.
Nem sempre quem compartilha as horas fáceis
sabe respeitar aquilo que é guardado com cuidado.
Há quem busque apenas a leveza dos bons momentos, fáceis
mas prefira se afastar quando a presença exige responsabilidade e afeto.
A maior decepção não nasce do vazio que fica,
mas da clareza tardia e inevitável de perceber
que o cuidado, a entrega e a consideração oferecidos
jamais encontraram o mesmo peso
ou eco do outro lado.
No fim, quando as explicações já não sustentam a ausência,
são as escolhas que mostram, sem qualquer disfarce,
tudo aquilo que as palavras bonitas tentaram mascarar.
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Aprendi a seguir com as mesmas respostas, a fazer o que esperavam de mim e a não deixar transparecer o quanto certas coisas estavam me afetando. Por fora, nada parecia diferente, mas eu sabia o esforço que fazia para não deixar tudo transbordar
Tem um cansaço difícil de explicar quando até as coisas mais simples exigem uma disposição . Tentamos acompanhar tudo, dar conta das próprias obrigações
, responder às mensagens, enquanto procuramos entender por que está tão difícil fazer o que antes parecia tão simples.
O pior é perceber que ninguém precisa saber o que se passa para que você continue fazendo o necessário.
Você aprende a disfarçar tão bem que até os próprios limites começam a ser ignorados.
E talvez seja isso que mais pesa: continuar parecendo a mesma aos olhos de todos, enquanto, por dentro, até pequenas coisas começam a exigir um esforço que antes não existia.
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Têm Dias que Tudo Parece Pesado,
e eu penso em ficar onde estou.
Mas algo pequeno dentro de mim
me lembra que eu já passei
por mais do que sou.
Não preciso ter todas as respostas
nem enxergar o fim do caminho.
Me basta um passo de cada vez,
e seguir, mesmo sem saber, sozinha.
Eu errei, também chorei,
duvidei do que podia ser.
Mas toda vez que recomecei
encontrei forças para continuar
As vezes o medo volta forte,
aperta o peito, faz recuar.
Eu aceito que ele existe,
e deixo ele passar sem me parar.
Cada tentativa me ensina
algo que eu não sabia antes.
Mesmo o que não deu certo
me deixa um pouco mais adiante.
Não quero esperar ficar pronta,
porque pronta talvez eu nunca esteja.
Quero ir assim, com o que tenho,
e deixar que o caminho me veja.
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Disseram-me que a solidão é ausência.
Nunca acreditei completamente.
Às vezes, ela aparece justamente quando tudo está cheio,
quando existem vozes ao redor e ainda assim alguma coisa permanece distante.
Porque não é preciso estar sem companhia para sentir falta de alguma coisa.
Há encontros que não alcançam aquilo que tentamos esconder,
e ainda assim existe algo que permanece distante, mesmo quando estamos perto.
Talvez seja esse o lado da solidão que quase ninguém entende: ela nem sempre chega quando estamos sozinhos.
sem que ninguém pergunte aquilo que realmente gostaríamos de responder
Quando tudo ao redor finalmente desacelera, quando as vozes diminuem e já não existe nada para esconder, quando as vozes diminuem e já não existe nada para esconder,
E talvez eu tenha confundido companhia com acolhimento.
Talvez tenha acreditado que estar perto significava ser compreendida.
E, pela primeira vez, a solidão já não parece apenas um vazio,
mas algo que consigo reconhecer sem precisar fugir daquilo que sinto.
.
.
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Durante muito tempo,
eu achei que precisava entender
tudo aquilo que se passava dentro de mim.
Procurava respostas
onde talvez nem existissem,
tentando compreender pensamentos
que não encontravam lugar.
Havia dias em que eu me cobrava demais.
Queria ter certeza das minhas escolhas
saber se estava fazendo o certo,
se estava seguindo pela direção certa,
como se um erro fosse suficiente
para colocar tudo a perder.
Mas comecei a perceber
que nem toda escolha precisa ser perfeita.
Algumas decisões só fazem sentido
depois que são vividas.
E nem sempre aquilo que parece certo
continua fazendo sentido depois.
Foi então que comecei a olhar para mim
sem procurar tantos defeitos,
sem exigir respostas para tudo,
sem transformar cada dúvida
em mais uma razão para me cobrar.
Ainda existem coisas que questiono,
atitudes que eu mudaria,
coisas que ainda tento compreender.
Mas existe uma parte de mim
que aprendeu a seguir adiante,
mesmo sem ter todas as respostas.
Porque o espelho
mostra apenas aquilo que está diante dele.
Não mostra as batalhas
que ninguém vê,
as lágrimas escondidas,
nem as dores que aprendi a carregar
enquanto fingia estar bem.
Diante do espelho,
eu parecia estar bem
.
Mas só eu sabia
o quanto tinha precisado enfrentar
para continuar.
Fui contra meus medos
e contra tudo aquilo
que um dia me fez acreditar
que eu seria incapaz
de suportar.
E talvez seja essa
a parte que o espelho nunca mostra:
tudo aquilo que precisei enfrentar
para chegar até aqui.
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