Aprendi que nunca serei
boa o bastante
para quem exige demais
e oferece de menos.
Aprendi que nem todos
querem entender —
alguns só querem passar,
olhar por cima,
seguir intactos.
Aprendi que meu choro
não faz barulho no mundo,
que minha dor não para relógios
nem muda rotas alheias.
E mesmo assim
eu sigo.
Todos os dias.
Mesmo cansada,
mesmo sozinha comigo.
Entendi que não mudo ninguém,
que cada um escolhe
o que faz,
o que sente,
o que ignora.
Então escolhi também.
Escolhi não implorar colo,
é porque sobreviver
também é um ato de coragem.
E se sigo em frente,
não é porque não doeu —
é porque doeu
e eu fiquei.
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Depois de tantas brigas, discussões e coisas sem sentido,
fomos nos perdendo uma da outra.
A mágoa cresceu, a irritação também.
O tesão ainda mora no corpo,
mas a mente já foi embora faz tempo.
Nos perdemos no relógio, nas contas,
nos problemas e no estresse do dia a dia.
E tantos sonhos, tantos planos —
alguns até viraram realidade —
hoje, pra mim, já não fazem mais sentido.
Minha mente cansou.
Meu coração também.
Essa montanha-russa de hoje sim, amanhã não
me esgotou.
Você me perdeu da forma mais fria:
eu não tenho vontade de chorar.
Não sinto nada ao não te ver em casa,
ao estar sozinha.
Pelo contrário —
sinto paz.
Sinto tranquilidade.
Nos perdemos.
E não devemos mais tentar nos encontrar.
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Com sua partida, percebi que deveria ter te amado mais.
Devia ter te abraçado mais.
Se você estivesse aqui, eu seguraria forte a sua mão,
olharia fixo nos seus olhos
e sentiria todo o amor verdadeiro
que existia entre nós.
Eu queria que você estivesse aqui.
Queria tomar, outra vez, um café contigo,
ouvir sua voz rouca dizendo qualquer coisa que fosse,
sentir tua presença perto de mim,
me protegendo como sempre fez.
Meu pai…
como eu queria sentir teu cheiro outra vez.
Como eu queria — de verdade —
que você ainda estivesse aqui.
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"Quando uma ferida é magoada, ela dói.
Mas no outro dia, começa a se curar outra vez, criando aquela casca.
Só que, se você mexe nela de novo, ferindo mais uma vez,
chega uma hora em que a casca já não nasce mais,
e a ferida já não sara.
E isso... nem é sobre feridas."
— Ariádina Duarte
Palavras sóbrias
por Ariádina Duarte
Tenho palavras sóbrias
do que gostaria de te dizer,
palavras sinceras, vindas
de um coração que aprendeu
entre erros e escolhas.
Tenho mil palavras certas
pra te fazer lembrar
quem eu fui,
quem eu era…
Gostaria de te contar
como tem sido aqui dentro,
com o passar dos anos —
mas todas as palavras
se calam diante do tempo.
Talvez um dia.
Ou talvez nunca.
Só quero que saibas:
são muitas,
muitas as palavras
que ainda moram em mim.
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Um brinde a nós minha dor.
Horas finitas, infinitas horas.
Noite escura.
Cachorro latindo.
Vento frio.
Será só mais uma noite escura…
ou o ponto final entre nós?
Então,me perca de vez.
Se eu te deixo eu não volto atrás.
Tenho medo de voltar a ser quem já fui .