Me perco, divago e as palavras se vão, quase como um lampejo…
Há muito para se dito e nada ao mesmo tempo.
Sorrio, gargalho e choro,
a vida é isto mesmo ou não sei viver?
Ainda parece que foi ontem.
Ainda parece que faz tanto, tanto, tanto, tanto, tanto, tempo...
Palavras perdidas
abor ta
das
deixadas pra lá
engasgadas
canceladas e
es tra ça lha das
pela incerteza do amanhã.
Haverá de ser outro dia,
e eu?
Ainda estarei aqui?
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Você diz que me conhece
mas
não é capaz de enxergar o peso
que carrego
nas costas
no corpo
na fala
no olhar
na mente
na alma.
(É tudo questão de ponto de vista)
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Esses gritos
"esquecidos"
de mulheres
amordaçadas,
estupradas,
violentadas,
enforcadas,
queimadas,
foram todos contabilizados.
Um
por
um,
eles pagarão.
Mulheres de todo o mundo,
uni-vos!
- É assim que se faz uma revolução.
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me recolho
em silêncio
traço planos mirabolantes,
me esquivo de todos eles.
Aceito, duvido, divago...
Só mais um gole.
À seco...
Suspiro.
Parece que foi ontem,
tem dez anos.
Dez anos..., dez, dez anos!
O que diabos eu estava pensando?
Em silêncio
recolho
mirabolantemente,
meus cacos.
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Costuro o vazio
faço e refaço pontos
troco as linhas
as cores
as formas
(...)
Sem medo
empacoto
etiqueto
endereço
e dou ponto final.
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No meio do caminho
tinha um
Vazio
e ele
me Preencheu.
Eu fujo de mim
volto atrás
ainda estou aqui
mas
já parti
mais
do que poderia
aguentar...
- você já esteve aqui?
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das cousas que não ouso
falar
questionar
perguntar
você
é a que mais me inquieta.
E eu procurei,
feito uma louca,
qualquer vestígio teu,
mas não havia nada.
Apenas
uma
t
r
i
l
h
a
invisível
que fiz
questão de
p
e
r
c
o
r
r
e
r
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Anda chovendo lá fora.
Dentro de mim,
tempestades.