Sempre tentando cobrir,
mesmo quando não quer
Tão macil
e sedoso no guarda roupa
Só é retirado quando a frieira
Bate na derme
Até da cama nunca mais sair.
Lençol virou pele do indivíduo
Que não quer mais sentir.
Não é o suficiente porque a nevasca chegou, ele usa dois lençois para não congelar
Ele se acomoda mas o vendaval esquenta e ele se cobre com mais cinco cobertores com medo da hipotermia, mas o finado morreu de overdose -diz o padre do velório do mestre da glicose
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Caldo de carne, cenoura, batata,
Beterraba, sal, estresse,
Tristeza e uma pitada de pânico.
Sopa do dia,
A sopa do nosso brasileiro que acorda às cinco,
Cuida dos filhos,
Aguenta o público monótono,
Suporta o chefe tal que ele elogia de "égua",
Aguenta o insalubre ônibus
Com pessoas que exalam o aroma
Que fez Voldemort arrancar o nariz,
Num calor agradável de segunda-feira
Que rasga o couro que grita socorro:
"Me tira daqui!"
Depois da sopa ele está farto
E ainda quer dormir.
Muito mimado esse brasileiro, né? Haha
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---Céu subindo
---círculo rodando
-----Escrevendo no lápis
-----comendo colheres
------porta saindo
-------jogo jogando
------O vôo voando
---bife comendo
---cheiro cheirando
---Endo. Gerúndando
Gagueira gagando
Desde quando tudo que é
Não pode fazer o que faz?
Você não é um objeto para não ser você mesmo (a).
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Talvez para fazer
O meu coração se abrir somente com a presença de um bisturi ,
Mas talvez só é preciso me dar uma caneta e um papel
Posso não vomitar sentimentos
Pela boca
Mas pelas mãos entrego o meu sangue.
Não por quê eu quero , mas porque eu vomitava , mas não consigo mais , porque vomitar é feio
Dizia mamãe e papai.
Entre escritórios, cozinhas e laboratórios,
entre caçarolas e Nobéis,
mulheres que venceram o viés.
Pilares da vida, ventre da empatia,
alicerce da sensibilidade,
Amazonas com suas lanças da verdade.
Mulher não é flor, é eco
que voa eternamente nas montanhas da efemeridade.
Mulher é inerente à água, ao vento que percorre
o córrego da sociedade.
A luta é eterna como essa voz,
a voz do passado que grita, que dói.
O relógio enferruja, o livro amarela,
mas as suas vozes ainda são eternas
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Em um estante
-um arco-íris na janela
-perto da estante
O fogo esquenta a
Panela,
Brigas de música de fundo
-mas, a criatura permanece
Na janela
contemplando quem ela era,
A atmosfera é limpa para quem têm a cegueira da positividade
Ela anda em um mundo que já pegava fogo usando a venda da felicidade.
Ela corria no quintal sem o menor medo de cair
Ela seguia a borboleta até um calafrio sentir ,um cheiro deferente ela tremia os dentes , mas , se acostumou não é o mesmo mundo , tudo mudou , a tempestade veio e acabou
Mas, uma cor nova chegou...
O sinza , ela se acostumou
O verão chegou. E do seu mundo se lembrou , ela gritou de saudade chorou. O sinza piorou , ela tira venda do chão e usa com dor , a calma volta , e da felicidade ela se lembrou.
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Desde aquele dia,
Minhas memórias vêm com força:
De cada bolo mesclado de carinho,
De cada tambaqui assado, dos guisados de frango com macarrão banhados a margarina... todos, um gesto valioso de amor.
A cada chinelada na fuça e doces escondidos, a cada vogal ensinada.
Um gesto de amor marcado como uma colher de pau na minha cara.
Cada poema e frase que minha Simone escrevia ecoa na eternidade.
Me desculpe por não prolongar meu abraço naquele fatídico dia.
Te amo, vovó!
Simone (1968-2022)
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_me trancaram em uma caixa
Que repúdio estar
-não gosto de sair;
-não gosto de ficar,
Me deram a faca e o pão
Aprendi sem hesitar
Mas por algum motivo
Aprendi a não gostar.
Como?, como aproveitar?
Como desfrutar
Onde não gosto de estar
Como olhar?, como enxergar?
Como ver com os meus próprios olhos?
Como não herdar desgosto óbvio?
Por que será?
Por que na caixa não consigo mais ficar?
obs : 📦= eu.
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Para os melhores que eu,
Para os que acertam a flecha na mosca
Para aqueles que são mais
Suspicases
Para os Melhores
Para os imaculados e intocáveis
Para os que nunca tropeçaram em um alfinete e caíram no abismo
Para aqueles que vivem sorrindo.
Para os que me refletem em um espelho deformado
Me mandam ler a luz sem mencionar a sua cegueira
Os vitoriosos. Não escondem sua bagagem , porque nela há também DERROTA e alto sabotagem.
Preciso olhar me com os meus próprios olhos!
Não com os olhos de quem nunca caiu e se machucou.
Mas sim de quem morreu em vida e ressuscitou .
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Para que serve a ultima folha do caderno?,
- O último pão de forma ?,
A última bolacha do pacote?
O último capítulo!!
--- serve com o objetivo do início
TERMINAR.
--mas , a última folha do caderno ?
Eu quero .., quero dizer
--se precisar de uma continuação?
--Apenas não escreva.
- então eu rasgo?
-não!
--então !!, o que eu faço!!!
-não pense em nada , apenas termine o
-- aceitar o final?!,
Sim-
-- aceitar o epílogo,
Fechar a porta , fazer um continuação póstuma
Entendes? , ou quer que eu desenhe?
O que foi? Tem medo do final ?
--sim.....francamente.
🍐obs: escrevi esse poema no ano passado , ironicamente na última folha do meu caderno.
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