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Aline Soraia

@AlineSoraia · desde 2022

"há mundos submersos que só o silêncio da poesia penetra" -Conceição Evaristo

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café sem açúcar

Tinha escrito um poema sobre café Dizia que mesmo amargo, você tornava ele doce Quanto desperdício de palavras Você nunca vai ler O pior foi o que fiz comigo Achar que deveria mudar por você Não vou mais caber na sua idealização Felizmente, nem você na minha Só posso me pertencer

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outros ventos de dezembro

A roupa branca já é indiferente As cores de dentro se fundem e transbordam mais Depois da meia noite, o mesmo caminho Entre idas e retornos, saio do ninho O céu vai ser o mesmo A flor vai ser a mesma As palavras, não sei O olhar não Não vai ser em vão Ciclo redondo desviando Calmamente, respirando Atravessando Se equilibrando entre o amanhecer e escurecer Metamorfose de sensações Um olhar nos fogos de artifício e o outro nas direções Se reencontrar entre as estações Permitir a poesia de outros verões Segurar na pupila outras causas Exprimir abundantes ideias Marchar pela fresta Fazer o tudo viver outra vez Outro dia, Outra semana, Outro mês, Um novo agora Outros ventos de dezembro Novas auroras -Aline Soraia

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a gaiola e a psicanalista

Tu não gosta quando seu pai coloca os passarinhos numa gaiola Sente a injustiça ressoando em cada canto matino A liberdade de mover um voo se dissipando Por que vai se manter dentro de uma também? Já pode seguir traçando rotas distintas Recolhe suas palavras, afetos e tintas Vai dançando, meu bem

derramando silêncios

Você é um silêncio que precisa ser dito Uma caminhada entre as árvores Uma música bonita do Cartola Uma cerveja gelada num dia de verão Você é um chá de camomila pintado na retina Um rabisco de folhas verdes sob a luz do dia Uma pintura de mulheres sensíveis Uma passeata Você é alguns trechos da bell hooks Um turbilhão de lágrimas após assistir "dançando no escuro'' Um café amargo que acolhe por dentro Uma travessia interior Você se percebe imensa por alguns instantes, embora às vezes queira caber em lugares minúsculos também Você escreve isso mas depois esquece tudo que compõe seus caminhos Dessa vez, não vai esquecer -Aline Soraia

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eu de dentro

Me olho de dentro pra fora Tudo o que vejo, condiz com o que sinto Marcas, tecidos e histórias Toda vez que vejo, sou outra Tentando ampliar o que já foi visto Observando o que não era percebido Sinto a imagem lentamente Tem cores, primavera e uns tons de outras versões E agora, quando passeio por dentro Vou moldando outros vulcões -Aline Soraia

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