A luz do sol já chegou aqui,
sua luz, aqui, a queimar.
Permita-me sentir,
teu calor degustar.
Permita-me sorrir
enquanto o sol minha pele bronzeia,
enquanto é dia e não noite.
Pois, no escuro, meus olhos se fecham.
Não quero ainda dormir.
Para mim, o silêncio chega a gritar.
É tanto barulho dentro de mim
que me faz um ser difícil de decifrar.
Quero o sol queimando ainda
e o vento meus cabelos acariciando,
para que ao mundo me torne indiferente,
para que nele me sinta humano.
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Engraçado
como estás sempre presente.
Não por inteiro,
mas como algo
que, de repente, paira.
Talvez sejas o vento,
que vem
e que passa.
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Se entra a ansiedade,
tudo desalinha.
Volta-se à estaca zero
e isso, mais do que desanima.
Se a ansiedade domina,
já não conseguimos ter certeza.
Tudo parece incerto.
Tudo parece besteira.
Se a ansiedade encontra espaço,
tudo recomeça de outra forma,
e acaba num ciclo
em que a gente roda.
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Onde estou hoje,
que não estou me encontrando?
Ninguém se preocupa verdadeiramente;
estão apenas perguntando.
Perguntam porque precisam perguntar.
Não podem ser más pessoas,
pois, pelo que fazem por mim,
sem dúvida, são boas.
Hoje eu estou assim,
talvez enxergando tudo deturpado.
Mas é porque não me encontro bem
e não me escutam se não falo.
Tenho uma tristeza dentro de mim,
sem nome para eu poder dizer.
Uma tristeza apenas para ser sentida,
que me aperta sem porquê.
Minha irritabilidade se encontra a mil.
As lágrimas estão à beira.
A única coisa que não faço é sorrir.
De resto, finjo estar inteira.
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Não sei como está o céu agora,
mas hoje eu o vi.
Vi mais cedo.
Estava azul,
estava sorrindo,
e sorriu boa parte do dia,
quase o dia inteiro.
Enquanto andava,
achei que olhava para mim.
Ao vê-lo sorrir,
segui também sorrindo.
Fui a uma papelaria,
depois a uma loja,
e ele me acompanhava,
belo, com seu sorriso.
Voltei para casa,
e foi da mesma forma.
Até que passei
do portão para dentro.
Mas, antes de desaparecer da minha vista,
antes de abrir a porta,
acenei com a cabeça,
e ele retribuiu-me o cumprimento.
Agora é noite.
Não sei como está.
Mas desejo que esteja bem,
que tenha guardado o sorriso,
porque amanhã precisarei ir novamente à rua
e seria delicioso seguir com ele.
Seguir sorrindo.
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Onde está você que ainda não conheço,
quando a vida começa a pesar,
quando novamente tento e quebro a cara,
quando começo a pensar em nem tentar mais?
Entre tantos "você", nenhum me satisfaz.
Onde está você que ainda não conheço,
quando, depois de tanto buscar, me encontro perdida?
É fazer, refazer, errar e começar de novo,
como se não houvesse fim,
como se nunca houvesse vitória.
Onde está você quando amarga a vida?
Onde está você que ainda não conheço,
que não se aproxima,
que não enxuga minhas lágrimas?
Não peço muito da vida.
Não sonho com um conto de fadas.
Onde está você que ainda não conheço,
quando fico só,
quando fico assim,
sem palavras, sem nada perfeito,
com facilidade para chorar
e dificuldade para sorrir?
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Ainda aqui.
Respirando.
Ainda aqui.
Distante. Mudo.
Ainda aqui.
Sem mais, sem rima.
Fazendo do silêncio, poesia.
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O início de uma aventura?
O início de algo bom?
Meu coração acelera pouco,
sem grandes emoções.
Mas há um sonho guardado no peito,
e, no sorriso ainda não aberto,
um anseio pelo amor.
Tudo tão dentro,
tão secreto,
como o néctar de uma flor.
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A vida não é reta,
tem curvas aleatórias.
Não premeditamos as esquinas,
paramos ao acaso.
Freamos não por saber que devíamos frear,
mas por o fôlego ter acabado.
Uma hora dessas
e me encontro acordada.
A solidão, como sempre, minha amiga.
Não desfaleço.
Sento ao lado,
a convido, como ela me convida.
Faço o que faço,
e ela me acompanha.
Só a escuto melhor
quando estou a acabar.
Então é respirar
e pedir que comigo não grite.
Continuar... dormir... acordar.
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